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Mensagens

Amuada

  Quero ler mais. Não quero estar dependente de ecrãs, nem de notificações, nem mensagens automáticas dos serviços públicos, nem imagens e videos constantemente felizes, de realidades distantes, de casas ricas ou imagens do excelente profissional, cheio de trabalho e super requisitado, cheio de competências, nem de corridas competitivas, nem de prazos de candidaturas que cada vez mais requerem uma equipa cada vez maior e mais especializada em números, em economia, marketing e direito. Quero mais humano. Mais afetos. Mais empatia, compreensão amor, respeito, dádiva,  mais utopia. Mais liberdade para sonhar, sem ser invadida de pensamentos e listas de deveres e obrigações infindáveis para cumprir, que nunca mais acabam e que tendem a aumentar. Isto é mesmo para acabar com qualquer ser humano, este sistema cada vez mais máquina, mecânico, robótico, "algoritmico", numérico, mais rápido, competitivo, indiferente, especialista e destrutivo, exploratório de todas as mensagens de amo...

What happens in the silence?

 Não se trata de uma escuta de ouvir as pessoas falar ou os ruídos da rua. É uma escuta de ouvir os silêncios. Essa é a escuta. O que acontece no silêncio? O que diz? Escutar os gestos, escutar os movimentos, escutar os olhares. Texto e fotografia: Clara Sofia

Machi

"Machi" from the album Four Great Winds 2012 Available at peiasong.com Lyrics: Machi machi machi - ma Machi machi machi - ma Machi cura Machi sana Machi cántame una nana Machi machi machi - ma Machi machi machi - ma Yo no lloro Yo sólo canto Con tu encanta Pacha Mama Madre Tierra

Desejos

Nunca é de mais desejar boas coisas aos outros, ao mundo e a nós mesmos. Não paremos de repetir, tudo de bom, bom Natal, bom Ano. Que o ano novo que se aproxima de 2021, possa ser abundante de amor, empatia e compaixão. Possamos ser mais bondosos e compreensivos, sem passividade, sem calar a voz, sem submissão. Amor e assertividade num empoderamento alinhado. Lembrem-se de ser felizes. Manter a simplicidade no olhar, mas abraçar a tristeza quando esta chega perto e as nossas sombras, são essas que necessitam de ser  mais abraçadas. Agradecer todos os dias o que recebemos e aprendemos. Texto: @quelara Fotografia: @quelara, Sintra
"Para ser um artista, você precisa  de existir num mundo de silêncio."                                        "To be an artist, you need to exist in a world of silence." Louise Bourgeois

go let

O mês de Fevereiro chegou em meados de Março, Abril. É sempre um desafio atravessá-lo. Deixar ir o que tem de ir, saber perder, mesmo que seja apenas uma sensação de perda. Clara Sofia

Sinceridade

Para ser sincera. Sem sorriso. Melancolia. Parece que sinto mais a vida, filigrana de cristal. Olho para as coisas já com saudade. Esmurraça-me. Fiquei comovida, ao ter olhado para o outro, que se manifesta triste com os outros, que pensa sozinho em voz alta, dizendo que se apercebe o quanto os outros se movem apenas pelo dinheiro. Depois toca piano devagar e baixinho, olhando para o vago em frente. Há pouco tinha tocado para a filha pequena, que está longe, através de uma webcam, um mini-recital para doze crianças da sua classe e a professora. Passou o dia anterior e a manhã seguinte a preparar- se para aquele momento. A filha fez-lhe um bolo para o Dia do Pai. As crianças olhavam para ele contentes, enquanto ele tocava, um pai pianista, bateram-lhe muitas palmas, pedindo-lhe para agradecer em forma de vénia. Ao final de cada peça que tocava, pediam-lhe que repetisse a vénia vezes e vezes sem conta. Ficaram contentes com um dia de aulas diferente. Eu escutava o p...

Estimulos e fé

Necessitamos cultivá-los, um e outro, estímulos e fé. Fazer viagens interiores de estímulos, procurar os estímulos, os milagres subtis, as imagens, os símbolos, as canções, para que possamos ter visão, visões, ver além, para poder encontrar sempre aceso o fogo da fé. O fogo da fé precisa de alimento para que a chama nos mantenha alinhados aos acontecimentos diários, ao quotidiano rotineiro. Deixar adormecer o fogo da fé, é deixar cair por terra a nossa bússola. Texto: Clara Sofia Imagem: "Descascando Cebolas", Lilly Martin Spencer (1822-1902)

Frio

Não deixa de me encantar a natureza, os pássaros, os insectos, os animais, o céu, as nuvens, os astros, a bruma, a chuva, o vento, o cheiro a terra molhada, o cântico dos pássaros, o dia e a noite, o amanhecer, o entardecer, o anoitecer, não me deixam de encantar os ciclos naturais, a formação dos riachos, as poças de água, os rios e o mar. As montanhas, os montes, os vales e as planícies, não me deixam de encantar. Não me deixa de encantar o ar orvalhado, as plantas verdíssimas que crescem rasteiras ao solo cobertas pela chuva, o cheiro das flores, os sons que escutamos quando estamos em silencio, não me deixa de encantar a contemplação, não me deixa de encantar o dar, as cores e os beijos não me deixam de encantar. Texto: Clara Sofia

Dióspiro

Dia chuvoso, chuva leve, que suavemente nos banha devagar, sem que nos demos conta. O Outono entrou sorrateiro, doce, carinhoso. Dióspiros, romãs, castanhas, folhas secas num chão de cores quentes, árvores que agora se despem, que apelam a um tempo intimo, que nos abraçam cada passo, cada silencio, cada pensamento. Tempo que pede silêncio, recolhimento, o movimento faz-se agora para dentro. Texto: Clara Sofia

Foi a lua nocturna

E assim levou o vento desta noite, o amor. Levou também quase tudo. Levou tudo o que tinha para levar, numa lua cheia ventosa. Talvez nem tenha sido o vento a levar o amor, nem a lua cheia, mas o desgaste de tanta fita adesiva, de tanto remendo na mesma zona partida, uma e outra vez, até se tornar em vezes sem conta. Uma zona partida depois fica ferida, frágil, sensível e reclama ser sarada. Esta lua cheia, já foi há um pouco, mas isto que conto não, de facto a lua cheia não levou ontem o amor, mas a noite sim, levou muita coisa. Talvez tenha sido apenas uma lua nocturna. Texto: Clara Sofia

Nublada

Noite nublada. Bruma caminhante por entre as árvores. Sussurros de aves. Ela gostaria de saber falar como elas. Não poderíamos falar todos como pássaros? Nao poderíamos ao menos de vez em quando, aproximarmo-nos para os escutar? Darmo-nos esse tempo? Serenarmos nessa condição a nossa condição, sem ambição, e de apenas estar presente. Texto: Clara Sofia

Passos orvalhados

O fogo. O céu azul limpo. O sol em esplendor num tempo frio e húmido. Terra verde brilhante magicamente orvalhada esta manhã enquanto caminhava para passear a Lucy. Tudo à volta em silêncio, passos no orvalho da erva, pássaros cruzavam linhas no ar, rebentavam energia nas suas asas e assobios. Segredos nas asas deles, segredos da vida secreta que te mima e abraça, quando ao redor dela te encontras em silêncio ou a falar baixinho, como uma criança pura no fulgor do encanto inicial. Texto: Clara  Sofia

Confissões inesperadas de rua

Hoje uma senhora baixinha, escondida, silenciosa, anciã, desfez o seu rosto em lágrimas perto de mim, sem se conseguir conter, ao acarinhar a minha cadela que estava à porta de sua casa. Recordou-se do seu cão que tinha partido há duas semanas, confessou-me que lhe fazia muita falta, sente-se só e ele era a sua companhia. Meteu a chave no portão de sua casa, e entrou silenciosa e tímida. Escondida e prostrada na sua emoção. Texto: Clara  Sofia

Rendermo-nos à fragilidade

Rendermo-nos à fragilidade é arrancar com força, aquilo que mais nos agarra. Está-me a custar a passar. Nunca pensei que doesse tanto. Torna-se uma dor quase física, entre a garganta e o esterno até ao diafragma. Latejante no plexo solar. Aproximar-me dela, foi saber um pouco mais de mim, aproximar-me sem medo da morte, os braços dela, também é uma mulher, também é a brincar. E assim fui andando a saber, ao sabor do desconhecido, saber no escuro. Queria ir, ver mais, sem sons, sem ter de querer, sem ter de ser alguém, algo. Queria ver, sentir, caminhar na linha, tocar os braços, abraços, o espelho de mim. O espelho de mim no outro. O espelho que cai e parte, mas não doi quando magoa, porque é querido, saber não querer ir mais além do que aquele lugar. Não tem de ser assim. Pode assim descansar em paz, no lugar da alma, nos braços dela, amar o desconhecido, lugar limpo, vazio sem sons e significados, limpo de palavras, de agregados, de coisas, de obscuro, de livros, de carne, ...

Alentejo Plim Plim

Estou assim aconchegada, embatida num ser que faz livres piruetas e não tem realidade, tem todas as realidades ao mesmo tempo, criações, criações de mundos e love stories. Beijos desmedidos. Infância, Alentejo do sonho meu, montes, cheiros e flores campestres, risos e insectos, magia do imaginário, o avô da bicicleta a lavar os animais, a fonte da água pura, bacias e tanques, ameixas e dióspiros. Livre, livre, livre de sonhar, a piscina do tanque onde aprendi a nadar, histórias contadas à meia-noite à beira das portas de casa. Resgatados os instrumentos visionários de corridas na erva com os galos atrás de mim. Sopro de mim para o universo inteiro, naves espaciais em forma de cavacas doces e brancas, leves gotas de orvalho, o frio do amanhecer, em que descubro qualquer coisa que me abala na necessidade de sentir a rebeldia de viver em laços de coisas assim mais nobres, mais beijadas, mais conscientes, mais discretas, seguras em sentidos multi-laterais. Nobre aquele que faz ...

Drummond

"Não deixe o amor passar" Quando encontrar alguém e esse alguém fizer seu coração parar de funcionar por alguns segundos, preste atenção: pode ser a pessoa mais importante da sua vida.  Se os olhares se cruzarem e, neste momento, houver o mesmo brilho intenso entre eles, fique alerta: pode ser a pessoa que você está esperando desde o dia em que nasceu.  Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo for apaixonante, e os olhos se encherem d’água neste momento, perceba: existe algo mágico entre vocês.  Se o primeiro e o último pensamento do seu dia for essa pessoa, se a vontade de ficar juntos chegar a apertar o coração, agradeça: Deus te mandou um presente: O Amor.  Por isso, preste atenção nos sinais - não deixe que as loucuras do dia-a-dia o deixem cego para a melhor coisa da vida: O Amor. Carlos Drummond de Andrade

História evaporada

Evaporou-se. A sensação que as coisas se evaporam, rapidamente como álcool etílico despejado pelo chão. Depois também é difícil lidar com os factos. Aquele casal de velhotes no café. Ele lê o jornal, ela faz o sudoku fervorosamente com lápis, borracha e caneta, sem tirar os olhos uma única vez da folha. Bebi o meu café e pensei no que tinha sonhado, mas não me lembrava. Na televisão, a imagem piscava continuamente, por avaria, sem arranjo, de televisor antigo, transmite um programa de natureza selvagem, algures numa ilha e sua floresta tropical, de insectos, cobras e lagartos. Enquanto escrevo no diário, e revejo o que tinha escrito em dias anteriores, observo o que se passa à volta, sinto-me ao mesmo tempo num estado meio hipnótico, com um olhar meio vago, meio perdido, naquele ambiente de café que parou no tempo, algures nos anos oitenta. Gosto de lugares assim que não acompanham os tempos de hoje, não correm atrás das modas, não correm atrás de nada, ou então correm apenas at...

Embrenhada na noite

Ainda há quem desconheça o Amor, pelo menos assim oiço dizer. E eu também se calhar. Será que alguém conhece verdadeiramente o amor?  Se calhar também não sei o que é amar.  Será mesmo preciso sabê-lo? Talvez baste apenas sentir esse território para sempre desconhecido e misterioso.  Entregarmo-nos verdadeiramente a esse lugar, a essa manifestação, oferecê-lo ao outro, pegar no coração que trago nas mãos, e como alguém me disse um dia, que também trazia o coração nas mãos, e que vagueava pelo mundo, tão somente para o depositar nas mãos de um outro. Há quem não saiba se ama, por não ter a certeza, há quem apenas se encontre apaixonado. Viver apaixonado pela vida, pelos outros, por aquilo que se faz, por tantos detalhes. Qual a diferença, qual o caminho para cada um deles? Entre os dois, qual o caminho? Texto: Clara  Sofia Poem of the Butterflies  The people of this world are like the three butterflies in front of a candle's flame. The first one...