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Mensagens

Finibus Terrae

Depois de uma viagem até aos confins das terras italianas do sul, exactamente na província de Salento, regresso outra vez à cidade de Roma. Uma das coisas que me despertaram o interesse foi a música e as várias danças denominadas como Tarantella. As suas origens remontam, em algumas fontes históricas, à antiguidade clássica, aos cultos e mistérios Dionisíacos. Numa destas danças "La Pizzica", que para além de ser tocada nos momentos de festas familiares ou de comunidade, como qualquer uma das outras danças e músicas da Tarantella, chegou a ser considerada como a única medicina contra a mordedura de tarântula. Diz-se que nestas terras, há muitos anos atrás, o povo na sua maioria camponês, vivia basicamente da agricultura, durante a época de cultivo da terra, sem motivo aparentemente algum, sucedia a alguns deles sentirem-se mal e desmaiarem. Estas pessoas, nos dias seguintes, encontravam-se num profundo estado de transe contínuo e não apresentavam reacção nenhuma ao ...

Pequenas melancolias

Sabes, sinto saudades do Outono. Escorrego sem esforço, sem luta, por uma estrada que não sei para onde me leva. Texto: Clara Marchana Fotografia: Hugo Chinaglia

Dove è il Portogallo?

Situações caricatas sucedem-me neste país, do tipo, vou à esteticista, e ela pergunta-me simpaticamente, então de onde és, não és italiana, eu sorrio e respondo, não, sou de Portugal, sou portuguesa, de Lisboa, e ela responde-me com um sorriso, ah eu logo vi pelo teu sotaque espanhol! Bom está bem, penso eu, vou responder-lhe que Espanha não é Portugal, mas ela continua feliz o seu discurso, ah adoro a paella, e logo de seguida penso, como posso interrompê-la neste momento e dizer-lhe que está enganada, não posso estragar-lhe todo aquele seu prazer em falar de Espanha e na sua gastronomia, e continua, mas que fazes tu aqui neste país, no meio desta crise, os homens em Espanha são tão bonitos, ah e Barcelona que linda! Bem, entretanto desisti de tentar explicar-lhe fosse o que fosse, de lhe desfazer aquele prazer, e deixá-la envergonhada e embaraçada, então limitei-me apenas em sorrir e deixei-a continuar a exprimir os seus gostos, dizendo-lhe que sim, é verdade Barcelona é linda, q...

Casa acesa pela luz do sol

Ela sonhou que estava dentro de uma casa, mas que não era a sua, era a dele. Uma casa por onde o sol entrava em todas as suas frentes. Janelas e mais janelas semi-fechadas, mas por onde teimava furar a luz do sol. Uma luz que violava e acendia aquela casa. Ela espreitou por uma das janelas semi-abertas, e resolveu sair pela janela lá para fora. À sua volta, uma imensidão de terra, côr castanho fértil, com um enorme terreno lavrado de jovens vinhas, com troncos que se torciam e pequenos rebentos de folhas verdes a quererem impulsivamente sair, enquanto ao longe, o azul sereno do mar espreitava. Texto: Clara Marchana

Samba da Benção

Tinha acabado de acordar, um calor abafadíssimo, um Domingo previsível por uma certa moleza no corpo. Fui à varanda, de um 4°andar, e oiço uma canção que vinha da rua, de não sei onde. No Pigneto, bairro popular italiano, que se poderá dizer que é uma espécie de Bairro Alto aqui em Roma, e longe estava de escutar esta melodia. Mas de onde vinha? -Sei lá, não faço a mínima idéia, mas sabe bem. Tinha uma vontade de sair de casa, ir por ali a dançar e a cantar baixinho, perseguindo aquele som até o encontrar. Que sensação. Texto: Clara Marchana "É melhor ser alegre que ser triste Alegria é a melhor coisa que existe É assim como a luz no coração Mas pra fazer um samba com beleza É preciso um bocado de tristeza Senão não se faz um samba não Fazer um samba não é contar piada E quem faz samba assim não é de nada O bom samba é uma forma de oração Porque o samba é a tristeza que balança E a tristeza tem sempre uma esperança De um dia não s...

Bugigangas de amor

Hoje estou a precisar de me distrair. Quer dizer, de ficar sossegada e sussurrar ao teu ouvido tudo aquilo que me apetece dizer, que me vem à cabeça no momento, e todas as bugigangas de amor. Depois gostava que me afagasses os cabelos e escutasses o meu silêncio, a minha respiração e as coisas que não te digo, aquelas que não te chego a dizer. Vamos recriar o amor, fazê-lo brilhar como aquela estrela que estou a ver agora no céu ou como aqueles sonhos que não queremos acordar e queremos ficar a dormir mais um bocadinho. Só mais um bocadinho, dá-me só mais esse bocadinho de ti. Texto: Clara Marchana Fotografia: Maria Flores

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Mais inspiração Mais idéias Mais criatividade Mais imaginação Mais liberdade Mais sonho Mais invenção Mais renovação Mais criação Mais Poesia Mais! Texto: Clara Marchana