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Em nada


Ela não consegue fazer nada, escrever nada,
mover-se.
Ela não consegue nem sequer dizer que não consegue,
"-Não consigo, é uma coisa já difícil de ser dita."
Não consegue ser,
não consegue tornar-se.
Quem vai entender?
Quanto mais vai ficando fora do ritmo do mundo, mais difícil é sentir ou ter quem nos entenda,
mais difícil se torna mostrar-se,
exprimir-se,
e afirmar seja o que seja perde todo e qualquer sentido.
Quem quererá entender, quem quererá aproximar-se do nada?
Alguém se interessa pelo não conseguir?
Ninguém, nem mesmo ela.

Texto: Clara Marchana

Comentários

ana disse…
Venho agradecer por olhar para o meu espaço. Gostei do que vi no seu.
Roma é para mim uma grande saudade.
Morri e renasci naquela cidade ocre.
Apreciei o seu poema porque são tantas vezes as que "não consegue tornar-se".
Clara Sofia disse…
Muito obrigada Ana pelo seu comentário e também pela sua visita.
Roma é uma cidade estranha nesse aspecto, uma espécie de lama transformadora.
Parabéns também pelo seu blog.

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