Partiu sozinha


Ela deixou a casa onde tinha estado até àquele momento e partiu.
Depôs as flores na terra em oferta, em agradecimento, aos lugares por onde tinha sido conduzida e até onde tinha conseguido chegar.
Iniciou viagem.
Não sabia bem para onde andar, por onde começar, mas fez um primeiro passo.
Naquela manhã as coisas tinham outras côres, como se tivesse acordado sem véu, pois via tudo de forma diferente.
Tinha sido ferida por uma espada na noite anterior, que a tinha atingido muito mais fundo do que das outras vezes, e ficara com uma cicatriz.
-Existem cicatrizes bonitas!-pensou.
Tinha acordado de um sono profundo, onde os sonhos a tinham levado para zonas escuras e fechadas à chave para que ninguém lá pudesse entrar, zonas que pensava ela, serem perigosas, mas que afinal eram apenas como os quartos de uma enorme casa, quartos que precisam que as portas e as janelas sejam abertas de vez em quando, para fazer circular o ar.
Foi empurrada a prosseguir por um vento que soprou forte, o mesmo vento que transporta as folhas das árvores, e foi forçada a direccionar nova rota para outro lugar, e assim partiu.
Desta vez partia sozinha.

Texto: Clara Marchana

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