sexta-feira, 19 de março de 2010

"Tarde com Sol"


As coisas simples dizem-se depressa; tão depressa
que nem conseguimos que as oiçam. As coisas
simples murmuram-se; um murmúrio
tão baixo que não chega aos ouvidos de ninguém.
As coisas simples escorrem pela prateleira
da loja; tão ao de leve que ninguém
as compra. As coisas simples flutuam com
o vento; tão alto, que não se vêm.

São assim as coisas simples: tão simples
como o sol que bate nos teus olhos, para
que os feches, e as coisas simples passem
como sombra sobre as tuas pálpebras.

Poema: Nuno Júdice
Fotografia: Berenika

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