terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Percepções

                                                   Gustav Klimt (1862-1918)


A vida é um enigma precioso
Um milagre que passa despercebido aos nossos olhos.

"Como se pode invocar a alma? Há muitas formas: pela meditação, pelos ritmos da corrida, do som do tambor, do canto, do acto de escrever, da pintura, da composição musical, pelas visões de grande beleza, da oração, da contemplação, dos ritos e rituais, de ficar parada e até mesmo idéias e disposições de ânimo arrebatadoras. Todas elas são convocações psíquicas que chamam a alma da sua morada até à superfície.
Eu, porém, recomendo aqueles métodos que não exigem nenhum acessório, nenhuma localização especial e aos quais possamos recorrer com a mesma facilidade num minuto ou num dia. Isso quer dizer que devemos usar a nossa mente para convocar o self da alma. Todas as pessoas têm pelo menos um estado mental que conhecem no qual realizam esse tipo de solidão. Para mim a solidão é como uma floresta portátil que levo dobrada comigo para onde vou e que abro à minha volta quando necessário. Sento-me, então, aos pés das árvores velhas e enormes da minha infância. Desse ponto priviligiado, faço as minhas perguntas, recebo as minhas respostas e depois reduzo novamente o meu bosque ao tamanho de uma carta de amor para a próxima vez. Na realidade só precisamos de uma coisa para obter solidão voluntária: a capacidade de eliminar distracções (...) Não é difícil conseguir, só é difícil lembrar-se de tentar (...) também é bom praticar a solidão num ambiente de mil pessoas.
Após alguma prática, o efeito cumulativo de solidão voluntária começa a agir como um sistema respiratório vital, um ritmo natural (...). Com o tempo, descobriremos a fazer as nossas próprias questões à alma. Às vezes, podemos ter apenas uma pergunta. Outras vezes, pode ser que não tenhamos nehuma e que só queiramos descansar na rocha, perto da alma, e respirar com ela."

ESTÉS, Clarisse Pinkola, Mullheres que correm com os lobos, Mitos e Histórias do Arquétipo da Mulher Selvagem, editora Rocco, Lisboa 2004

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