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Mensagens

"Para ser um artista, você precisa  de existir num mundo de silêncio."                                        "To be an artist, you need to exist in a world of silence." Louise Bourgeois

go let

O mês de Fevereiro chegou em meados de Março, Abril. É sempre um desafio atravessá-lo. Deixar ir o que tem de ir, saber perder, mesmo que seja apenas uma sensação de perda. Clara Sofia

Sinceridade

Para ser sincera. Sem sorriso. Melancolia. Parece que sinto mais a vida, filigrana de cristal. Olho para as coisas já com saudade. Esmurraça-me. Fiquei comovida, ao ter olhado para o outro, que se manifesta triste com os outros, que pensa sozinho em voz alta, dizendo que se apercebe o quanto os outros se movem apenas pelo dinheiro. Depois toca piano devagar e baixinho, olhando para o vago em frente. Há pouco tinha tocado para a filha pequena, que está longe, através de uma webcam, um mini-recital para doze crianças da sua classe e a professora. Passou o dia anterior e a manhã seguinte a preparar- se para aquele momento. A filha fez-lhe um bolo para o Dia do Pai. As crianças olhavam para ele contentes, enquanto ele tocava, um pai pianista, bateram-lhe muitas palmas, pedindo-lhe para agradecer em forma de vénia. Ao final de cada peça que tocava, pediam-lhe que repetisse a vénia vezes e vezes sem conta. Ficaram contentes com um dia de aulas diferente. Eu escutava o p...

Estimulos e fé

Necessitamos cultivá-los, um e outro, estímulos e fé. Fazer viagens interiores de estímulos, procurar os estímulos, os milagres subtis, as imagens, os símbolos, as canções, para que possamos ter visão, visões, ver além, para poder encontrar sempre aceso o fogo da fé. O fogo da fé precisa de alimento para que a chama nos mantenha alinhados aos acontecimentos diários, ao quotidiano rotineiro. Deixar adormecer o fogo da fé, é deixar cair por terra a nossa bússola. Texto: Clara Sofia Imagem: "Descascando Cebolas", Lilly Martin Spencer (1822-1902)

Frio

Não deixa de me encantar a natureza, os pássaros, os insectos, os animais, o céu, as nuvens, os astros, a bruma, a chuva, o vento, o cheiro a terra molhada, o cântico dos pássaros, o dia e a noite, o amanhecer, o entardecer, o anoitecer, não me deixam de encantar os ciclos naturais, a formação dos riachos, as poças de água, os rios e o mar. As montanhas, os montes, os vales e as planícies, não me deixam de encantar. Não me deixa de encantar o ar orvalhado, as plantas verdíssimas que crescem rasteiras ao solo cobertas pela chuva, o cheiro das flores, os sons que escutamos quando estamos em silencio, não me deixa de encantar a contemplação, não me deixa de encantar o dar, as cores e os beijos não me deixam de encantar. Texto: Clara Sofia

Dióspiro

Dia chuvoso, chuva leve, que suavemente nos banha devagar, sem que nos demos conta. O Outono entrou sorrateiro, doce, carinhoso. Dióspiros, romãs, castanhas, folhas secas num chão de cores quentes, árvores que agora se despem, que apelam a um tempo intimo, que nos abraçam cada passo, cada silencio, cada pensamento. Tempo que pede silêncio, recolhimento, o movimento faz-se agora para dentro. Texto: Clara Sofia