Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

A mostrar mensagens de 2008

The vision of "Ashes and Snow"

" In exploring the shared language and poetic sensibilities of all animals, I am working towards redescovering the common ground that once existed when people lived in harmony with animals. The images depict a world that is without begining or end, here or there, past or present." " What matters is not what is written on the page, what matters is what is written in the heart." " Reread my letters with eyes closed. Let the words and the images wash over your body like waves." Gregory Colbert, creator of "Ashes and Snow"

O cavalo e o touro

No sonho existia um cavalo que corria numa praia. Separado por um muro e uma rede, do outro lado da praia existia um touro, que tentava agredir o cavalo. O touro era estimulado por um grande grupo de pessoas que corriam e gritavam atrás dele e o incitavam a atacar o cavalo. O cavalo percorria de um lado ao outro a rede, assustado e inquieto por toda aquela situação, enquanto o touro, provocado por todas aquelas pessoas sedentas de violência e de uma odiosa excitação no rosto. O touro perseguia o cavalo ao mesmo tempo que se esbarrava contra o muro e a rede. Enquanto observava toda aquela cena, olhei para o touro e pensei: "- Aquele touro afinal não quer atacar o cavalo, está simplesmente a ser provocado e estimulado por todas aquelas pessoas. Ele nem sequer quer ali estar, quer que o deixem em paz, aquela é a sua força natural e aquelas pessoas utilizam-no e aproveitam-se disso para o seu próprio prazer luxurioso de um divertimento vazio. Num determinado momento, o ca...

O Bosque

No silêncio iluminado pelo fogo da alma ela cumpre a sua promessa Escuta Aprende que tudo virá no tempo certo No caminho justo Ela já sabe que a escuridão também é importante na sábia estrada que a guia. Texto: Clara Marchana

Roma città sommersa

Emergenza

Manhã chuvosa As ruas estão submersas de água Chove continuamente há dias As notícias dos jornais já falam do perigo da subida do nível da água do rio Tevere, está tudo em alerta e os barcos de borracha já se encontram "atracados" em plena estrada da cidade de Roma, prontos para qualquer eventual emergência. Texto: Clara Marchana

Il Paradiso

No último verso da Divina Comédia, obra do poeta de Florença, Dante Alighieri escreveu: "L' amore che move el sole e l'altre stelle." (O Amor que move o Sol e as outras estrelas)                       Il Paradiso, Canto 33.145 , Divina Commedia di Dante Alighieri (1265-1321)

Existência de um significado nas coisas

Ela chorou o dia todo, não sabia como dizer as coisas para ser entendida, Um certo cansaço, uma certa confusão tomavam agora conta dela Fechou-se na casa de banho e rendeu-se ao choro, Olhou pela janela lá para fora mas não sabia o que fazer, o que pensar, os olhos encharcados em lágrimas lavavam-lhe o rosto, caiam-lhe para as mãos apoiadas nas pernas e escorregavam até aos pés. Parecia que tomava banho nas suas próprias lágrimas. Como encontrar aquilo que procurava, como se encontrar, o que fazer na vida que lhe pulsava e que sentia intensamente, se a maior parte das coisas que estavam à sua volta não lhe mostravam um sentido? Não encontrava referências, nem identificação. Apenas sabia ou sentia, pressentia um significado para tudo aquilo mas talvez ainda não fosse o tempo certo para lhe ser revelado. Era guiada no escuro, de olhos vendados, por um caminho que a iniciava, mas sem certeza de nada, sem saber onde desaguava. Mas tinha fé, muita fé. Tinha fé na existên...

Um dia no Zoo

Fotografias de Clara Marchana Decidimos ir ao Jardim Zoológico situado em  Villa Borghese . Os animais devolvem-nos e resgatam em nós aquilo que tentamos esquecer, o instinto animal, a relação com os cinco sentidos , o quanto nos afastamos por vezes da escuta de nós mesmos. Na zona dos chimpanzés, quando ali chegámos não havia ninguém, uma enorme janela de vidro a separar-nos, mas que nos permitia ver todo o espaço onde habitavam, um dos chimpanzés estava, encostado àquele vidro e assim que nos sentiu chegar, olhou e observou-nos com serenidade e pouca surpresa. Aproximámo -nos devagar mas ele após pouco tempo depois mostrou-se indiferente ao girar as suas costas para nós. Sentámo -nos então no chão por algum tempo encostados àquele vidro em silêncio, e ele passado algum tempo, olhou e observou-nos mais uma vez, estendemos então um braço para ele, e ele imediatamente estendeu-nos o seu braço também em resposta. Eu girei...

Ousar revelar

Hoje não ouso revelar ou então não sei como fazê-lo. Porque é que por vezes é tão difícil revelarmo-nos ao outro ? Texto: Clara Marchana "Precisamos fundamentalmente de nos encontrarmos a nós próprios, de nos fixarmos solidamente em nós próprios, de sentirmos interiormente que quem fala e quem decide somos nós e não os nossos hábitos e condicionalismos, nem o receio de olhar os outros." Thomas D'Ansembourg

Nine Finger

O actor belga Benjamin Verdonck numa cena de "Nine Finger ", espectáculo criado pela japonesa Fumiyo Ikeda , Benjamin Verdonck e o belga Alain Platel , ontem à noite no Teatro Palladium em Roma, no Roma Europa Festival 2008. Um espectáculo que fala das crianças soldado em África ( Darfur ), da guerra que por vezes parece esquecida, mas que não deixa de ser selvagem e cruel. Uma experiência extrema, selvagem e cruel quase num limite, muito arriscado e desconstruído mas de uma subtileza e poética fortíssimos. O crú e a coragem de se expôr, o nada, o vazio em cena, a violência sincera desarma o espectador e deixa-nos a vacilar entre o que é verdade e ficção. Grande trabalho! Texto: Clara Marchana

Eu quero andar à chuva

Será isso o que precisamos? Andar à chuva? Voltar a ser criança? Ou para quem não teve a oportunidade de o ser, sê-lo agora e relembrar tudo aquilo que o tempo o fez esquecer, ser livre. Texto: Clara Marchana “ Everybody 's Free (To Wear Sunscreen )” Music Video . 1999 - More amazing videos are a click away

Magritte

"My painting is visible images which conceal nothing; they evoke mystery and, indeed, when one sees one of my pictures, one asks oneself this simple question "What does that mean?" It does not mean anything, because mystery means nothing either, it is unknowable." René Magritte (1898-1967)

Somos felizes

Também escrevo sobre o amor. Escrevo com prazer de me libertar O prazer de ser feliz e de procurar a felicidade Gostava de poder abrir a porta e sair lá para fora a correr para os teus braços Para todos os braços de quem me ama, de quem ama os outros, de quem sente o Amor Somos felizes, deveríamos sê-lo Vamos embora Saltemos e pulemos essa cerca. Texto: Clara Marchana

Tudo o que fica por dizer

Tanta coisa para contar, tanta coisa que às vezes fica por dizer. Tantas coisas que ficam por contar a certas pessoas, que não chegamos sequer a dizer. Ficam apenas os silêncios, os pensamentos turvos e perturbadores da dúvida e os mal entendidos que gostaríamos que tivessem sido esclarecidos no momento certo. Os dias arrastam-se e não encontramos mais a saída ao labirinto. Dizer ao outro o quanto queremos mostrar e revelar, os sentimentos profundos do nosso ser, que nada é por vezes o que parece ser, mas acabamos mais por parecer uns prisioneiros encarcerados nas quatro paredes dos nossos medos porque não ousamos revelar a ninguém as sombras que temos dentro. E se tentássemos explicar o que estamos a viver ou a passar num determinado momento, o outro talvez não acreditasse e talvez pensasse que fosse uma desculpa, aligeirando a questão com um sorriso, o que acabaria por nos acanhar e inibir. Receamos assustar o outro com o desespero e o medo de não podermos vir a ser nun...

Estou cansado

                                                                 Fotografia de Cesar Augusto Estou cansado, é claro, Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado. De que estou cansado, não sei: De nada me serviria sabê-lo, Pois o cansaço fica na mesma. A ferida dói como dói E não em função da causa que a produziu. Sim, estou cansado, E um pouco sorridente De o cansaço ser só isto - Uma vontade de sono no corpo, Um desejo de não pensar na alma, E por cima de tudo uma transparência lúcida Do entendimento retrospectivo... E a luxúria única de não ter já esperanças? Sou inteligente; eis tudo. Tenho visto muito e entendido muito o que tenho visto, E há um certo prazer até no cansaço que isto nos dá, Que afinal a cabeça sempre serve para qualquer coisa.                                                                      Álvaro de Campos

Navegar é preciso

Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa: "Navegar é preciso; viver não é preciso". Quero para mim o espírito [d]esta frase, transformada a forma para a casar como eu sou: Viver não é necessário; o que é necessário é criar. Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso. Só quero torná-la grande, ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a minha alma a lenha desse fogo. Só quero torná-la de toda a humanidade; ainda que para isso tenha de a perder como minha. Cada vez mais assim penso. Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue o propósito impessoal de engradecer a pátria e contribuir para a evolução da humanidade. É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça.                                                                                                                                                      Fernando Pessoa

A Arquelogia do Amor II

O Amor anda por aí. Escondido. Parece que passa despercebido. Mas revela-se aos poucos aos olhos e corações mais atentos. Fotografia: Clara Marchana "Pigneto" Texto: Clara Marchana

O teatro de Pina

"Se faço teatro ou dança? É uma questão que nunca coloco a mim própria. Procuro falar da vida, das pessoas, de nós, das coisas que mexem connosco... E há coisas dentro de uma certa tradição da dança que já não se podem dizer: a realidade nem sempre pode ser dançada, não seria eficaz, não seria crível. (...) Tenho um respeito enorme pela dança e talvez por isso não a utilize muito. Procuro simplesmente uma forma para exprimir o que sinto e pode acontecer que esta forma não tenha nada a ver com a dança. Penso que dentro das pessoas com quem trabalho existe muita dança, até quando não se mexem." ( in O teatro de Pina Bausch , de Leonetta Bentivoglio, Acarte, 1994, Lisboa)

Um provérbio

"Depois da tempestade vem a bonanza." Provérbio português

Teatro India, Roma

Fotografia: Clara Marchana

"La più bella fidanzata del mondo sta piangendo"

"... la più bella fidanzata del mondo sta piangendo ..." dizia ontem à noite, o actor em cena, no espectáculo Il sentiero dei passi pericolosi , texto belíssimo, do autor canadiano (Québec) Michel Marc Bouchard. Ontem à noite no Teatro India no Festival Short Theatre, em Roma. Fotografia: Clara Marchana

Il Parco della Caffarella

O parque onde vou correr. Fotografia: Clara Marchana

Exercício da esperança

Exercito os músculos da crença Tento acreditar nesta cidade mas parece-me uma cidade abandonada pela senhora esperança e pela senhora fertilidade. Texto: Clara Marchana

Esconderijo

Hoje escondi-me porque estava triste Deixo-me guiar Tento acreditar Texto: Clara Marchana

Mais de mim

Todos os dias devo escutar um pouco mais de mim.

Città degli angeli caduti

Roma a cidade que se metamorfoseia aos meus olhos, Roma a cidade quimera dos anjos caídos, Roma a cidade que foi puta mas que agora se converteu, Roma que se altera, transforma e representa como um actor o personagem lhe mandam executar, Roma a "cidade poesia" camuflada de miséria, Roma a cidade disfarçada, que cobre com um manto negro a sua fragilidade com medo que a possam ver. Texto: Clara Marchana Fotografia: As Asas do Desejo (1987), filme de Wim Wenders