segunda-feira, 20 de março de 2017

Sinceridade

Para ser sincera.

Hoje sinto-me triste.
Não sei bem porquê. Melancólica.
Às vezes sinto mais a vida, filigrana de cristal fino. Olho para as coisas já com saudade. Isso esmurraça-me profundamente.
Fiquei comovida, ao ter olhado para outra pessoa, que se manifesta triste com os outros, que pensa sozinho, em voz alta, dizendo que se apercebe o quanto os outros se movem apenas pelo dinheiro.
Depois toca piano devagar e baixinho, olhando para o vago em frente.
Há pouco tinha tocado para a filha pequena que está longe, através de uma webcam, um mini-recital para doze crianças da classe da sua classe e a professora. Passou o dia de ontem e a manhã a preparar- se para o momento. A filha fez-lhe um bolo para o Dia do Pai. As crianças olhavam para o ele contentes enquanto ele tocava, o pai pianista da colega, e bateram-lhe muitas palmas, dizendo~lhe, que gostavam de o ver fazer a vénia. E ao final de cada peçazinha tocada, pediam-lhe que repetisse a vénia vezes sem conta. Ficaram contentes com esta parte de um dia de aulas diferente.
Eu ouvia o piano do outro lado da casa, a minha pele espreitava pela porta, e escorriam-me lágrimas pelo rosto. Como poderia conter-me? Era tão tocante. Tão milagre. Seres humanos a manifestarem-se no seu melhor, sem esperar espécie alguma de reconhecimento ou de troca.
As pessoas comovem-me, as nossas emoções, os pensamentos e como se manifestam nos nossos gestos, olhares e posturas.
Somos tão imensos, tão grande o mar emotivo, tão cheios de milagres.
Somos tão frágeis, tão belissimamente comoventes, quando somos verdadeiros no nosso ser quando age manifestamente natural.

(C)Lara

Fotografia: Sabina Tabakovic

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