sábado, 13 de junho de 2015

Foi a lua nocturna

E assim levou o vento desta noite, o amor.
Levou também quase tudo.
Levou tudo o que tinha para levar,
numa lua cheia ventosa.
Talvez nem tenha sido o vento a levar o amor, nem a lua cheia,
mas o desgaste de tanta fita adesiva, de tanto remendo na mesma zona partida, uma e outra vez, até se tornar em vezes sem conta.
Uma zona partida depois fica ferida, frágil, sensível e reclama ser sarada.
Esta lua cheia, já foi há um pouco, mas isto que conto não, de facto a lua cheia não levou ontem o amor, mas a noite sim, levou muita coisa.
Talvez tenha sido apenas uma lua nocturna.

Texto: Clara Marchana