segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Frio



Não deixa de me encantar a natureza,
os pássaros, os insectos, os animais,
o céu, as nuvens, os astros, a bruma, a chuva,
o vento, o cheiro a terra molhada,
o cântico dos pássaros, o dia e a noite, o amanhecer, o entardecer, o anoitecer,
não me deixam de encantar os ciclos naturais, a formação dos riachos, as poças de água, os rios e o mar.
As montanhas, os montes, os vales e as planícies, não me deixam de encantar.
Não me deixa de encantar o ar orvalhado, as plantas verdíssimas que crescem rasteiras ao solo cobertas pela chuva,
o cheiro das flores, os sons que escutamos quando estamos em silencio,
não me deixa de encantar a contemplação,
não me deixa de encantar o dar, as cores e os beijos não me deixam de encantar.

Texto: Clara Marchana

domingo, 11 de outubro de 2015

Dióspiro



Dia chuvoso, dia de chuva leve e ligeira, que suavemente nos banha devagar, sem que nos demos conta.
O Outono entrou sorrateiro, tão doce, tão carinhoso.
Dióspiros, romãs, castanhas, folhas secas no chão de cores quentes, das árvores que agora se despem, que apelam ao tempo intimo, e que nos abraçam agora em cada passo, em cada silencio, em cada pensamento.
É um tempo que pede silêncio e recolhimento, o movimento faz-se agora para dentro.

Texto: Clara Marchana

sábado, 13 de junho de 2015

Foi a lua nocturna

E assim levou o vento desta noite, o amor.
Levou também quase tudo.
Levou tudo o que tinha para levar,
numa lua cheia ventosa.
Talvez nem tenha sido o vento a levar o amor, nem a lua cheia,
mas o desgaste de tanta fita adesiva, de tanto remendo na mesma zona partida, uma e outra vez, até se tornar em vezes sem conta.
Uma zona partida depois fica ferida, frágil, sensível e reclama ser sarada.
Esta lua cheia, já foi há um pouco, mas isto que conto não, de facto a lua cheia não levou ontem o amor, mas a noite sim, levou muita coisa.
Talvez tenha sido apenas uma lua nocturna.

Texto: Clara Marchana


quinta-feira, 19 de março de 2015

Nublada


Noite nublada. Bruma caminhante por entre as árvores.
Sussurros de aves. Ela gostaria de saber falar como elas.
Não poderíamos falar todos como pássaros?
Nao poderíamos ao menos de vez em quando, aproximarmo-nos para os escutar? Darmo-nos esse tempo?
Serenarmos nessa condição a nossa condição, sem ambição, e de apenas estar presente.

Texto: Clara Marchana