terça-feira, 19 de agosto de 2014

Rendermo-nos à fragilidade

Rendermo-nos à fragilidade é arrancar com força, aquilo que mais nos agarra.
Está-me a custar a passar. Nunca pensei que doesse tanto.
Torna-se uma dor quase física, entre a garganta e o esterno até ao diafragma. Latejante no plexo solar.

Aproximar-me dela, foi saber um pouco mais de mim, aproximar-me sem medo da morte, os braços dela, também é uma mulher, também é a brincar.
E assim fui andando a saber, ao sabor do desconhecido, saber no escuro.
Queria ir, ver mais, sem sons, sem ter de querer, sem ter de ser alguém, algo.
Queria ver, sentir, caminhar na linha, tocar os braços, abraços, o espelho de mim.
O espelho de mim no outro. O espelho que cai e parte, mas não doi quando magoa, porque é querido, saber não querer ir mais além do que aquele lugar.
Não tem de ser assim.
Pode assim descansar em paz, no lugar da alma, nos braços dela, amar o desconhecido, lugar limpo, vazio sem sons e significados, limpo de palavras, de agregados, de coisas, de obscuro, de livros, de carne, de loucura, de amarrares alguém para ti, sem ter na verdade esse alguém, não quero saber mais disso, mais nada vou dizer, para não suar em mergulhos delirantes de vezes e vezes repetidas.

Texto: Clara Marchana

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