sexta-feira, 20 de setembro de 2013

pontes tortas

Ficámos a olhar o oceano de frente, as emoções bailavam histéricas...


Pensava em como era fácil entender o significado das palavras, quando se encontram sozinhas, mas o difícil era entender quem as pronuncia, e as transporta, ou decide apenas ser transportado por estas. É como tentar chegar à raiz das metáforas. Que quererão dizer? Que revelam? É como várias pessoas cozinharem o mesmo prato de comida, com os mesmos ingredientes, as mesmas quantidades, e mesmo assim o prato sairá diferente, dependendo de quem o cozinhou. 
Queria estar contigo, ficar mais tempo, prolongar-te a presença, mas não chegavas à raiz das minhas metáforas, nem eu das tuas. Ou pelo menos era o que me dizias, que não te entendia. 
Duas crianças a olharem o pôr do sol, enquanto ocorriam batalhas dentro delas, enquanto a impossibilidade as separava cada vez mais, o pôr do sol descia, caía dentro do horizonte. Não vás já sol, deixa-me imaginar que ele está aqui comigo a ver-te também. Queria pensar que ainda havia esperança, que um dia ainda nos iríamos encontrar e amar, sem traduções, sem pontes tortas, exatamente na mesma metáfora, no mesmo significado, na mesma raiz, no mesmo sabor da maturidade. 

Texto: Clara Marchana

2 comentários:

Juliett Farnesse disse...

precisamente hoje eu escrevi sobre as palavras e sua armadilhas agradável coincidência e eu gosto de seu texto .... vasos comunicantes?

Tito disse...

O sol põe-se e nasce de novo todos os dias, e em cada dia podemos encará-lo de formas diferentes. Num dia pode fazer-nos dores de cabeça e deoxar-nos arrasados, no outro encher-nos de vida e alegria...Assim pode ser com as palavras também. Por isso a dificuldade pode não estar nas palavras, mas na forma como as ouvimos e queremos interpretar....parece absurdo isto?

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