terça-feira, 16 de novembro de 2010

Em nada


Ela não consegue fazer nada, escrever nada,
mover-se.
Ela não consegue nem sequer dizer que não consegue,
"-Não consigo, é uma coisa já difícil de ser dita."
Não consegue ser,
não consegue tornar-se.
Quem vai entender?
Quanto mais vai ficando fora do ritmo do mundo, mais difícil é sentir ou ter quem nos entenda,
mais difícil se torna mostrar-se,
exprimir-se,
e afirmar seja o que seja perde todo e qualquer sentido.
Quem quererá entender, quem quererá aproximar-se do nada?
Alguém se interessa pelo não conseguir?
Ninguém, nem mesmo ela.

Texto: Clara Marchana

2 comentários:

ana disse...

Venho agradecer por olhar para o meu espaço. Gostei do que vi no seu.
Roma é para mim uma grande saudade.
Morri e renasci naquela cidade ocre.
Apreciei o seu poema porque são tantas vezes as que "não consegue tornar-se".

Clara disse...

Muito obrigada Ana pelo seu comentário e também pela sua visita.
Roma é uma cidade estranha nesse aspecto, uma espécie de lama transformadora.
Parabéns também pelo seu blog.

Festas Felizes

Feliz Solstício de Inverno. Bem vindo Inverno. Feliz Natal Boas Festas Merry Christmas Buon Natale Buone Feste. (C)Lara