domingo, 26 de setembro de 2010

Pensamento em risco

Pensamentos rasgados, riscados,
pensamentos que se escondem com receio de serem magoados, porque não se assumem, não se mostram.
Pensamentos escorregadios, em risco de queda.
Visto o meu casaco preto comprido na cidade,
e começo a voar, mas ninguém me vê, ninguém acredita.
Pego em dois transeuntes e levo-os comigo, digo-lhes para acreditarem, que podem também fazê-lo, apenas é preciso acreditar.
Eles olham-me, não sorriem, incrédulos.
Continuo a alimentar a chama da crença enquanto passeio pela cidade enquanto passam por mim pessoas que correm seguras aos seus destinos.
Continuo a dizer baixinho para mim, eu acredito, eu acredito, eu acredito, para não deixar morrer a esperança e a vontade.

Texto: Clara Marchana

6 comentários:

Anónimo disse...

Lindo!!!!
p.

merce disse...

Yo tambien creo, creo, creo...
y me envuelvo en sueños que se convierten en realidad.

Bendita fé.


Inspirador texto.


Un abrazo Clara.

Clara disse...

Gracias Merce.

Un abrazo*

Luciana Onofre disse...

Dia 12 de outubro lançaremos os textos para a blogagem coletiva:


Quem é o Rei da sua casa?


Para saber mais visita Da Casa.

http://delakasa.blogspot.com/2010/10/blogagem-coletiva-quem-e-o-rei-da-sua.html


Grata,

Luciana

arKana disse...

Clara! andaste desaparecidaa ;)
é lindo o texto! consegui ver-te a voar. Eu acredito.
Beijos

AC disse...

A propósito do que escreve, permita que lhe deixe um pequeno texto que escrevi há poucos meses...

Lá longe, onde as montanhas mantinham um reduto quase inacessível, a corça cultivava as asas que nunca iria usar. Mas acreditava que iria voar, e isso fazia toda a diferença.
Quando as crias nasceram, incutiu-lhes o mesmo credo. E, passado um tempo, uma delas começou a ganhar asas. Porque acreditava nisso.
Quando a corça começou a voar, as irmãs censuraram-na. Porque eram corças.
A corça voadora, pegando na trouxa, zarpou para outras paragens. Talvez noutra latitude houvesse outras corças aladas.

Espero que tenha gostado.
Beijo :)

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