sábado, 31 de julho de 2010

Lughnasadh ou Lammas


Um feliz Lughnasadh e bençãos neste renascimento.

Fiz o meu primeiro pão de trigo e noz.
Lughnasadh celebra-se a 1 de Agosto no hemisfério norte e no dia 2 de Fevereiro no hemisfério sul, é simbolizado pelo trigo, que é identificado por um dos aspectos do deus Sol, a que os celtas chamavam de Lugh.
Lammas é uma festa, anglo-saxónica, de agradecimento pelo pão, que é representado como o primeiro fruto da colheita.

Dia propício aos agradecimentos, agradecermos tudo aquilo que colhemos, o bom e o menos bom, acreditando que as coisas menos boas têm um espécie de "propriedade medicinal" que pode actuar sobre nós de forma benéfica e curativa.


Texto: Algumas informações e o texto assinalado (1) foram retiradas da Wikipédia.
Pintura: Camille Pissarro (1830-1903)

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Fragmentos

Fragmentos,
de um texto, de um tempo e de um espaço que fala,
paisagens interiores que se tornam poesia física,
dançar a emoção.

A procura de um significado que não se chega a alcançar,
a espera,
à espera que o amor entre, saia, passe ou fique.
A falta de alguém, de alguma coisa, qualquer coisa que falta,
a metáfora móvel do que se sente.

Texto: Clara Marchana

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Das sombras

Existem períodos que nos sentimos assim,
sem nada a dizer,
sem saber o que exprimir.
Talvez seja tanto o que se tem para falar que não nos decidimos pelas palavras,
vamos guardando no baú as coisas que ficam por dizer, aguardando o momento certo, e  o tempo vai passando,
e o momento certo se calhar também,
um dia abrimos o baú, e saltam de lá todas as palavras,
palavras que puxam histórias,
e histórias cada vez mais longas.
E o que fazer com esta confusão que salta à nossa volta?
Podemos continuar sem abrir a boca,
adiando mais uma vez as conversas, os gritos, os segredos, as confissões, os desabafos, os choros, o dizer que te amo, e às vezes até o rir,
por receio que alguém se lamente,
por se cantar sempre a mesma canção,
ou então como um fruto, que ainda é verde, que só se pode colher no momento certo,
e pensamos que talvez seja melhor continuar a esperar.
A matéria de que se trata, por vezes, é densa e difícil de se tornar palavra,
matéria pouco soalheira e teimosa.
Mas nalguns momentos é preciso arriscar, puxar das palavras, ajudá-las a sair e cantar mesmo que seja a mesma canção, mesmo que se lamentem, mesmo que.
E eu que pensava que comunicar era mais fácil,
agora já não sei,
mas se calhar é apenas uma fase.

Texto: Clara Marchana
Fotografia dos autores: José de Almeida e Maria Flores 

sábado, 3 de julho de 2010

Sobre solidão


Sinto-me só.
Que difícil é estar só.
E eis que chegam os medos engalfinhados, esfaimados,
que tentam sobreviver,
desarrumando tudo,
deixam tudo de pantanas,
nada resta no seu lugar, nada.
Permaneço imóvel, ao ver tudo isto a girar à minha volta,
à espera que abrande a marcha destes bichos.
Fico quieta sem os perturbar.
Espero que passem.
Nunca os tinha visto passar tão perto de mim,
fugia sempre,
são apenas seres assustados,
que precisam de lanternas, para reencontrar o caminho de regresso a casa.
-Voltem a casa, medos esfaimados,
alimentem-se de canções de embalar até adormecer, e depois
dissolvam-se em partículas de pó de estrelas, transformem-se em luzes bonitas,
e façam-me estar descansada.

Texto: Clara Marchana
Imagem: Encontrada na net sem créditos