sábado, 19 de junho de 2010

Saramago e agora?


Saramago, e agora, quem é que nos vai contar histórias como tu nos sabias contar, com a tua forma que de escrever, de partilhares connosco esse teu mundo, o teu ser, e muito mais que isto mas que não consigo explicar?

Gosto de mergulhar no universo de Saramago, fico sempre com a sensação de querer lá voltar.
Não saberei dizer qual a sua melhor obra, por isso falarei do primeiro livro que li, A Caverna, que foi de alguma maneira especial, como quando visitamos um país pela primeira vez, e que gostamos subitamente de lá estar, sentimo-nos acolhidos. Uma sensação familiar.
Enamorei-me dos personagens de A Caverna, tinha a sensação que estar perto deles, das suas vidas, diálogos, pensamentos, até os nomes me soavam bem: Cipriano Algor, Marçal Gacho, Marta filha de Cipriano Algor, o cão de nome Achado (que foi realmente achado), e Isaura Estudiosa, uma figura engraçada que de alguma maneira traz a este círculo uma história de amor.
Tudo se passa à volta de uma olaria que pertence a esta família que vive numa modesta casa de campo, e uma cidade artificial a que dão o nome de Centro que fica a alguns quilómetros da casa, onde os habitantes vivem "protegidos", vacinados do mundo exterior, ansiosos em criar um comodismo e conforto artificial que sirva de escudo protector ao medo de viver.
Por temerem o vazio desconhecido, procuram a eternidade e pagam para viver numa cidade de muralhas e fachadas aparentes.
Nesta obra são tecidas palavras em frases que nos transportam numa bela viagem, onde acompanhamos os personagens, nas suas decisões, dúvidas, onde cada um, à sua maneira, procura a sua verdade, devolvendo-nos sensações de sorrisos, de proximidade e cumplicidade emocional.
A obra de A Caverna é escrita com uma simplicidade sábia, e não deixa nenhum leitor ficar à porta de entrada.

Agradeço aquilo que recebi ao ler os teus livros, Saramago, e que a tua alma esteja num lindo lugar cheio de paz e de amor.


"O homem mais sábio que conheci não sabia ler nem escrever", disse Saramago ao receber o Prémio Nobel, em 1998, referindo-se ao seu avô analfabeto.

Texto: Clara Marchana
Fotografia: encontrada na net

2 comentários:

Anónimo disse...

E' vero.
Sei riuscita a dire in una sola riga quello che di grande Saramago fa ogni volta che lo incontri...

"...não deixa nenhum leitor ficar à porta de entrada"

Grande visione :-)
Parabens!!!

Lisa disse...

chamoou-me a atençao a mesma frase do teu leitor acima. Muito eloquente, e no entanto tão simples. Saramago é celebrável sempre. :)