segunda-feira, 17 de maio de 2010

Esta insistente ausência


Lisboa,

Após esta longa ausência,
numa exaustiva viagem de regresso a casa,
num percurso que ainda não se deu por terminado,
neste voltar que levará o seu tempo,
onde a raíz sem-abrigo não consegue agarrar facilmente a terra onde outrora nasceu e cresceu,
mas que quer voltar, voltar tocar, voltar a sentir, enraizar.
Leve sussurrar da terra mãe que a chama, que a quer abraçar com a sua força.
A raiz fraca de tanto se ter deixado errar pelo mundo,
estende agora a mão, o braço, o corpo cansado, meio perdido,
e deixa-se entregar, deixa-se cair.
Milagre talvez nesse eterno retorno que nos faz entrar nos ciclos, círculos infinitos de renovação da vida.

Texto: Clara Marchana

2 comentários:

arKana disse...

também já me senti assim, andarilho... por andar sempre de um lado para o outro...como se não tivesse terra. Mas é bom poder conhecer outros locais e ver outras formas de viver a vida ;) Mas a sensação, às vezes, pelo menos para mim, era de ser um estrangeiro em todos os locais por onde passava... hoje já paro mais por casa, mas foi preciso passarem uns anos para começar a sentir aqui raizes. Vivo longe do sítio onde cresci, do sítio onde estudei... ainda sinto que não sei de onde sou.
Beijinhos

Clara disse...
Este comentário foi removido pelo autor.

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