sexta-feira, 30 de abril de 2010

Ainda sobre a ausência


Alguma ausência,
num tempo de regresso à terra onde nasci.
O vento sopra forte e as horas passam devagar.

Texto: Clara Marchana

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Dia da Terra, Earth Day


Dia de Gaia. Mãe Terra.

Uma semente é um bosque inteiro

Uma semente que aparece como planta é como o acto de abrir a boca. É o Verbo a comunicar, a dizer de si ao outro. As plantas são seres verdadeiros, como as pedras e os animais e os astros. São verdadeiros porque não escondem o que são, todo o seu acto existencial é esse mesmo mostrar aquilo que são, o que trazem em si.

"O Canto dos Seres, saudade da natureza" de Pedro Sinde

terça-feira, 20 de abril de 2010

"Saber Conviver"


A proposta de escrever sobre o tema "Saber Conviver" partiu do blog "Crianças Pagãs" de Luciana Onofre. Fica aqui o meu agradecimento.


"Saber Conviver"


é coabitar,
tolerar,
abrir,
é não ter medo,
olhar nos olhos do outro,
persistir no encontro de se encontrar a si próprio,
querer aprender, trocar experiências, escutar, respeitar e reconhecer o valor de cada um, incluindo o de nós mesmos.
É não se deixar render às circunstâncias, que por vezes nos apagam, e apagam os nossos sonhos.
Ter a coragem de falar o que se sente e acreditar que sonho pode ser realidade.
É abraçar e proteger o nosso planeta (a nossa grande casa), todos os animais, plantas, insectos...
É saber mudar, aceitar, transformar, cair, levantar-se, criar, criação, voltar a criar, imaginação.
É uma espécie de correr, crepitar de alegria logo de manhã com um sorriso nos olhos,
agradecer à vida de poder estar aqui.
É a oportunidade de crescer, errar, saber perdoar e ser perdoado.
É procurar, preserverar na busca de amar com a coragem no coração e na alma.
Abrir mão de convicções que talvez num determinado momento, possam já não ser precisas, saber reconhecer e confiar no momento da mudança.
A mudança faz parte da natureza, do universo.
Respeitar e tomar conta do nosso corpo, o nosso templo, a casa que nos dá a possibilidade de experienciar.
Não julgar.
Saber criticar construtivamente.
Parar de pensar na competição e comparação de quem é melhor, quem merece mais, ou quem tem mais ou menos.
Conviver,
é com-viver, com-vida, com a vida,
convidar,
partilhar a vida com o outro.

Platão escreveu: " Se um com a parte melhor dos seus olhos, a que nós chamamos pupila, conseguir ver a melhor parte dos olhos do outro, vêr-se-à a si mesmo." (Alcebíades I, 133 a)

Texto: Clara Marchana

sábado, 17 de abril de 2010

"Untapped"


"...Untapped source of peace,
Women in circles,
Women connecting,
Women together
Bringing the sacred feminine,
Maternal instinct, sister archetype,
Mother power
Into the world."

(Excerto do poema Untapped Source of Peace de Jean Shinoda Bolen)

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Porque fizeste anos mãe


Porque fizeste anos mãe e não te dei um presente,
porque estás longe,
e não te pude abraçar.
Porque sinto que te posso dar sempre mais e às vezes parece que esses momentos me escapam,
deixo-te aqui este poema-presente-fotografia.
Mãe, mulher que tanto admirava quando era pequena e que ainda hoje admiro.
Lembro-me de ficar a olhar para ti, atentamente, enquanto te olhavas ao espelho e decidias que lenço pôr, que roupa vestir, eram tantas as coisas: brincos, colares, casacos, calças e saias, tecidos coloridos, texturas, olhava-te e pensava que tu eras a mãe mais linda do mundo, era mágico tudo aquilo para mim, era como escutar uma história de embalar, onde tantas coisas podiam acontecer, viajava na imaginação, na magia das histórias, era uma liberdade.
Uma vez contaste-me, que quando eu tinha um ano e meio, e te estavas a vestir em frente ao espelho, e como habitual eu assistia ao teu ritual de indumentária, e naquele dia disse-te uma coisa que me disseste que jamais esquecerás, que olhei para ti de "olhos muito arregalados" (expressão que costumas utilizar): "Oh mãe estás mesmo impecável!"
Contaste-me que nesse momento, paraste surpreendida e pensaste: "Mas esta criança tem apenas um ano e meio, onde é que ela foi buscar a palavra impecável!? Onde é que aprendeu ela a falar assim?"
Ao que parece, não era a primeira vez que me expressava desta forma. Comecei a falar e a expressar-me bem muito cedo.
Confessaste-me, muito mais tarde, que às vezes te assustava esta forma que eu tinha de falar e de encontrar certas palavras para me explicar e dizer alguma coisa. "Como é que um corpinho tão pequenito, assim tão pequenina, pode dizer estas frases tão cheias de gente crescida?"
Ainda hoje, quando estás entre amigos, ris às gargalhadas bem altas e bem disposta contas esta e outras histórias. O quanto gostas de estar rodeada de pessoas e rir muito alto, adoras rir.
Lembro-me também, ainda pequena, em casa, calçava os teus sapatos de salto alto (naquela época pareciam-me enormes e altíssimos, do tipo sapato escadote), punha os teus lenços na cabeça, e caminhava pela casa, arrastando-me com os sapatos pelo corredor da casa, inventando as minhas histórias.

Texto: Clara Marchana

sábado, 10 de abril de 2010

Reencontro


Estamos aqui reunidas para crescer e evoluir.
Saber encontrar-se a si própria através do outro.
Eu e tu,
no mesmo espelho.
Bem hajam.

Texto: Clara Marchana
Imagem: "Dancing till Down", de Marianne Miller

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Renascimento


Renascer
1. Nascer de novo.
2. Renovar-se; rejuvenescer.
3. Tornar a aparecer; ressurgir; germinar de novo.
4. Emendar-se; corrigir-se.
5. Teol. Tornar ao estado de graça.


"A crucificação branca", Marc Chagall (1887-1985)
"La crocifissione", fresco de Giotto (1267-1337), Capella degli Scrovegni, Padova

Sobeja aspiração



Este espaço pequeno, aliás minúsculo, não me deixa mover nem sequer um centímetro do meu corpo.
E enquanto não me posso mexer, sonho.
Sonho pequenino aquilo que posso, porque não tenho espaço mesmo dentro do sonho.
E às vezes quando olho para o céu, penso no dia em que voltarei a casa,
e o sol que brilhará muito, abraçar-me-à sobejamente sarando tudo.

Texto: Clara Marchana
Imagem: "As Asas do Desejo" (1987) de Wim Wenders