domingo, 7 de março de 2010

Ela espera que ele um dia poise nos seus olhos

Ele vive o amor por ela como se fosse um maquinal funcionário público com a obsessão pela obrigação de cumprir uma infindável lista de deveres que ele próprio criou e todos os dias está mais cheia de palavras.
Ela espera que ele rasgue aquela lista e abrande um pouco aquele ritmo frenético, compulsivo que tem de viver, de trabalhar, de correr.
Pacientemente espera que ele repare nela.
Ela espera que ele um dia poise verdadeiramente nos seus olhos, ali, num momento qualquer do presente, onde quer que seja, à frente de todos.
E enquanto espera, sonha, canta, inventa histórias, chora, lava-se nas lágrimas, e faz a estrada de mãos dadas com a luz da solidão.
Ele nem se apercebe. Não a ouve nem a sente.
Chiiiuuuu... silêncio... que ela fala e tenta comunicar devagarinho.

Texto: Clara Marchana

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