sábado, 28 de novembro de 2009

"What's Hecuba to him?"

"What's Hecuba to him, or he to Hecuba,
That he should weep for her? What would he do
Had he the motive and the cue for passion
That I have? He would drown the stage with tears,
And cleave the general ear with horrid speech,
Make mad the guilty and appal the free,
Confound the ignorant, and amaze indeed
The very faculties of eyes and ears."

William Shakespeare, Hamlet, Act II. Scene 2.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Fritz Lang


Assisti a um ciclo de filmes de Fritz Lang (1890-1976), realizador austríaco que foi também argumentista e produtor, e sem dúvida um artista visionário.
Aconselho vivamente uma visita pelas suas obras, para quem ainda não conhece, ou uma simples revisitação. Como disse François Truffaut "este homem não é só um artista genial, mas também o mais isolado e incompreendido dos cineastas contemporâneos".

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Saudade

"A saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença.
Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: Quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira, é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida."

Clarice Lispector (1920-1977)

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Coisas fáceis

"Coisas fáceis,
fazer um agrado,
coisas fáceis,
abrir um sorriso,
coisas fáceis,
estender os braços,
coisas fáceis,
agir com juízo,
coisas fáceis,
mostrar o caminho,
coisas fáceis,
dizer a verdade,
coisas fáceis,
cuidar com carinho, coisas fáceis, viver com vontade,
são coisas pra se fazer, sem esperar recompensa,
coisas pra se querer,
coisas tão simples e tão difíceis de esquecer.
Um abraço, um sorriso, um aceno, coisas fáceis, gestos tão pequenos, coisas fáceis."

Coisas Fáceis, Jair de Oliveira

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Feliz Aniversário ou Tanti Auguri


Celebrar a vida,
entre sonhos, saudades, vontades, pensamentos, emoções, reflexões, memórias, alegrias, partilhas e agradecimentos.

Texto: Clara Marchana

terça-feira, 10 de novembro de 2009

"Catch the joy as it flies"


Pinturas: Betty LaDuke (www.bettyladuke.com)


" - O que andas a fazer com um caderno, escreves o quê?/ -Nem sei pai. Escrevo conforme vou sonhando./ - E alguém vai ler isso?/ - Talvez./ - É bom assim: ensinar alguém a sonhar."

"Então, as letras, uma por uma, se vão convertendo em grãos de areia e, aos poucos, todos os meus escritos se vão transformando em páginas de terra."

Mia Couto "Terra Sonâmbula"

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Partiu sozinha


Ela deixou a casa onde tinha estado até àquele momento e partiu.
Depôs as flores na terra em oferta, em agradecimento, aos lugares por onde tinha sido conduzida e até onde tinha conseguido chegar.
Iniciou viagem.
Não sabia bem para onde andar, por onde começar, mas fez um primeiro passo.
Naquela manhã as coisas tinham outras côres, como se tivesse acordado sem véu, pois via tudo de forma diferente.
Tinha sido ferida por uma espada na noite anterior, que a tinha atingido muito mais fundo do que das outras vezes, e ficara com uma cicatriz.
-Existem cicatrizes bonitas!-pensou.
Tinha acordado de um sono profundo, onde os sonhos a tinham levado para zonas escuras e fechadas à chave para que ninguém lá pudesse entrar, zonas que pensava ela, serem perigosas, mas que afinal eram apenas como os quartos de uma enorme casa, quartos que precisam que as portas e as janelas sejam abertas de vez em quando, para fazer circular o ar.
Foi empurrada a prosseguir por um vento que soprou forte, o mesmo vento que transporta as folhas das árvores, e foi forçada a direccionar nova rota para outro lugar, e assim partiu.
Desta vez partia sozinha.

Texto: Clara Marchana

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Permanecer nas coisas simples


Deixa-me ser.
Deixa-me permanecer nas coisas simples.
Ter um bocadinho de espaço para que possa florir, ser eu, sem invadir, nem chatear ninguém.

Texto: Clara Marchana

"Sim, sei bem
Que nunca serei alguém.
Sei de sobra
Que nunca terei uma obra.
Sei, enfim,
Que nunca saberei de mim.
Sim, mas agora,
Enquanto dura esta hora,
Este luar, estes ramos,
Esta paz em que estamos,
Deixem-me crer
O que nunca poderei ser.

Fernando Pessoa, poeta e escritor português, (Lisboa, 13 Junho 1888- Lisboa, 30 Novembro 1935), "Sim, sei bem"