sábado, 18 de julho de 2009

Casa acesa pela luz do sol

Ela sonhou que estava dentro de uma casa,
mas que não era a sua, era a dele.
Uma casa por onde o sol entrava em todas as suas frentes.
Janelas e mais janelas semi-fechadas,
mas por onde teimava furar a luz do sol.
Uma luz que violava e acendia aquela casa.
Ela espreitou por uma das janelas semi-abertas, e resolveu sair pela janela lá para fora.
À sua volta, uma imensidão de terra, côr castanho fértil, com um enorme terreno lavrado de jovens vinhas,
com troncos que se torciam e pequenos rebentos de folhas verdes a quererem impulsivamente sair,
enquanto ao longe, o azul sereno do mar espreitava.

Texto: Clara Marchana

domingo, 5 de julho de 2009

Samba da Benção



Tinha acabado de acordar, um calor abafadíssimo,
um Domingo previsível por uma certa moleza no corpo.
Fui à varanda, de um 4°andar, e oiço uma canção que vinha da rua, de não sei onde.
No Pigneto, bairro popular italiano, que se poderá dizer que é uma espécie de Bairro Alto aqui em Roma, e longe estava de escutar esta melodia.
Mas de onde vinha?
-Sei lá, não faço a mínima idéia, mas sabe bem.
Tinha uma vontade de sair de casa, ir por ali a dançar e a cantar baixinho, perseguindo aquele som até o encontrar.
Que sensação.

Texto: Clara Marchana

"É melhor ser alegre que ser triste
Alegria é a melhor coisa que existe
É assim como a luz no coração
Mas pra fazer um samba com beleza
É preciso um bocado de tristeza
Senão não se faz um samba não

Fazer um samba não é contar piada
E quem faz samba assim não é de nada
O bom samba é uma forma de oração
Porque o samba é a tristeza que balança
E a tristeza tem sempre uma esperança
De um dia não ser mais triste não

Põe um pouco de amor numa cadência
E vai ver que ninguém no mundo vence
A beleza que tem um samba não
Porque o samba nasceu lá na Bahia
E se hoje ele é branco na poesia
Ele é negro demais no coração."

Vinicius de Moraes

sábado, 4 de julho de 2009

Bugigangas de amor


Hoje estou a precisar de me distrair.
Quer dizer, de ficar sossegada e sussurrar ao teu ouvido tudo aquilo que me apetece dizer, que me vem à cabeça no momento, e todas as bugigangas de amor.
Depois gostava que me afagasses os cabelos e escutasses o meu silêncio, a minha respiração e as coisas que não te digo, aquelas que não te chego a dizer.
Vamos recriar o amor, fazê-lo brilhar como aquela estrela que estou a ver agora no céu ou como aqueles sonhos que não queremos acordar e queremos ficar a dormir mais um bocadinho.
Só mais um bocadinho, dá-me só mais esse bocadinho de ti.

Texto: Clara Marchana
Fotografia: Maria Flores