quarta-feira, 8 de abril de 2009

Senza parole


Sem palavras.
Que fazer, quando somos acordados pela terra que treme?
A surpresa mistura-se com a incredulidade de que esteja mesmo a acontecer.
Mas quem esperava ser acordado durante a noite por um tremor de terra?
A cama abana, o candeeiro balança, somos acordados pelo susto, pelo inesperado,
o espanta-espíritos que se agita e canta,
a cadela que ladra,
os alarmes dos carros na rua que disparam, que gritam,
saltamos da cama, caminhamos pela casa e sentimos o chão que nos abana,
assustados tentamos manter a calma,
Mas como?
O pânico quer invadir,
será melhor fugir a correr, sair de casa?
Em segundos o teu corpo e mente percorrem emoções limite, de medo, susto, pânico,
por segundos perdemos as referências e só pensamos em salvar-nos, parece que o instinto de sobrevivência entra em estado de alerta e põe-se a funcionar automaticamente.
Quando tudo se acalma, o corpo ainda em estado de choque, continua a tremer pelo inesperado susto.
Levamos algum tempo a acalmar-nos, quase a noite toda acordados, à espera de outro sinal de alerta que nos faça pular da cama, mas desta vez queremos estar preparados, para não nos surpreendermos, mas a impotência não nos deixa enganar que somos pequenos perante tal manifestação e que não nos resta senão estar vigilantes, tranquilizar-nos e esperar que tudo aquilo passe.
Após a noite mal dormida, descobrimos que um terramoto tinha acontecido numa cidade da região de Abruzzo, que fica a 90km de Roma, e que o que se tinha sentido de madrugada, eram as ondas de choque, e que valera para o susto.
Nos dias seguintes foram-se sentindo alguns tremores de terra mais ligeiros,
mas na memória do nosso corpo, teria ficado gravado o medo e o susto daquela potente sensação do inesperado daquela noite, e cada vez que se sentia a ligeira sensação ou impressão do chão estar a tremer, o candeeiro a oscilar, a mesa a abanar, disparavam em mim sinais de alerta impressionantes, que nem os exercícios das aulas de yoga me faziam acalmar.
Tinha sido uma experiência jamais vivida até aquela noite.
Para a cidade de Roma, aquilo que se tinha sentido não tinha sido nada, em comparação com o que viveu o povo da região de Abruzzo tinha vivido. Deixo aqui as minhas condolências, acendo a minha vela desejando que a sua luz chegue àquela terra, a todos aqueles que precisam dela, no visível e no invisível. Amén.

Texto: Clara Marchana

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