domingo, 16 de novembro de 2008

Tudo o que fica por dizer


Tanta coisa para contar, tanta coisa que às vezes fica por dizer.
Tantas coisas que ficam por contar a certas pessoas, que não chegamos sequer a dizer.
Ficam apenas os silêncios, os pensamentos turvos e perturbadores da dúvida e os mal entendidos que gostaríamos que tivessem sido esclarecidos no momento certo.
Os dias arrastam-se e não encontramos mais a saída ao labirinto.
Dizer ao outro o quanto queremos mostrar e revelar, os sentimentos profundos do nosso ser, que nada é por vezes o que parece ser, mas acabamos mais por parecer uns prisioneiros encarcerados nas quatro paredes dos nossos medos porque não ousamos revelar a ninguém as sombras que temos dentro.
E se tentássemos explicar o que estamos a viver ou a passar num determinado momento, o outro talvez não acreditasse e talvez pensasse que fosse uma desculpa, aligeirando a questão com um sorriso, o que acabaria por nos acanhar e inibir.
Receamos assustar o outro com o desespero e o medo de não podermos vir a ser nunca compreendidos.
Ficaríamos ainda mais sós na nossa ilha, no nosso mundo, que pode até ser maravilhoso, mas não conseguimos que ninguém lá entre ou que caiba mais alguém.
Assustamos o outro e assustamo-nos a nós próprios ao nos vermos espelhados nele.

Texto: Clara Marchana

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