domingo, 28 de setembro de 2008

Estou cansado

                                                                 Fotografia de Cesar Augusto

Estou cansado, é claro,
Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado.
De que estou cansado, não sei:
De nada me serviria sabê-lo,
Pois o cansaço fica na mesma.
A ferida dói como dói
E não em função da causa que a produziu.
Sim, estou cansado,
E um pouco sorridente
De o cansaço ser só isto -
Uma vontade de sono no corpo,
Um desejo de não pensar na alma,
E por cima de tudo uma transparência lúcida
Do entendimento retrospectivo...
E a luxúria única de não ter já esperanças?
Sou inteligente; eis tudo.
Tenho visto muito e entendido muito o que tenho visto,
E há um certo prazer até no cansaço que isto nos dá,
Que afinal a cabeça sempre serve para qualquer coisa.
 
                                                                   Álvaro de Campos

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Navegar é preciso


Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa:
"Navegar é preciso; viver não é preciso".
Quero para mim o espírito [d]esta frase,
transformada a forma para a casar como eu sou:
Viver não é necessário; o que é necessário é criar.
Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso.
Só quero torná-la grande,
ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a minha alma a lenha desse fogo.
Só quero torná-la de toda a humanidade;
ainda que para isso tenha de a perder como minha.
Cada vez mais assim penso.
Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue
o propósito impessoal de engradecer a pátria e contribuir
para a evolução da humanidade.
É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça. 
                                                                         
                                                                          Fernando Pessoa

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

A Arquelogia do Amor II




O Amor anda por aí.
Escondido.
Parece que passa despercebido.
Mas revela-se aos poucos aos olhos e corações mais atentos.


Fotografia: Clara Marchana "Pigneto"
Texto: Clara Marchana

terça-feira, 16 de setembro de 2008

A Arquelogia do Amor I


Vamos lá procurar o Amor nesta cidade.
Vamos lá desenterrá-lo.
Vamos descobri-lo.
Onde é que ele se encontra escondido?
Vamos procurar o Amor.

Texto: Clara Marchana

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

O teatro de Pina



"Se faço teatro ou dança? É uma questão que nunca coloco a mim própria. Procuro falar da vida, das pessoas, de nós, das coisas que mexem connosco... E há coisas dentro de uma certa tradição da dança que já não se podem dizer: a realidade nem sempre pode ser dançada, não seria eficaz, não seria crível. (...) Tenho um respeito enorme pela dança e talvez por isso não a utilize muito. Procuro simplesmente uma forma para exprimir o que sinto e pode acontecer que esta forma não tenha nada a ver com a dança. Penso que dentro das pessoas com quem trabalho existe muita dança, até quando não se mexem."

(in O teatro de Pina Bausch, de Leonetta Bentivoglio, Acarte, 1994, Lisboa)

domingo, 14 de setembro de 2008

Um provérbio


"Depois da tempestade vem a bonanza."



Provérbio português

Teatro India, Roma













Fotografia: Clara Marchana

"La più bella fidanzata del mondo sta piangendo"













"... la più bella fidanzata del mondo sta piangendo..." dizia ontem à noite, o actor em cena, no espectáculo Il sentiero dei passi pericolosi, texto belíssimo, do autor canadiano (Québec) Michel Marc Bouchard.
Ontem à noite no Teatro India no Festival Short Theatre, em Roma.


Fotografia: Clara Marchana

Il Parco della Caffarella



O parque onde vou correr.







Fotografia: Clara Marchana

sábado, 13 de setembro de 2008

Exercício da esperança


Exercito os músculos da crença
Tento acreditar nesta cidade mas parece-me uma cidade abandonada pela senhora esperança e pela senhora fertilidade.



Texto: Clara Marchana

Esconderijo

Hoje escondi-me porque estava triste
Deixo-me guiar
Tento acreditar



Texto: Clara Marchana

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Città degli angeli caduti




Roma a cidade que se metamorfoseia aos meus olhos,

Roma a cidade quimera dos anjos caídos,
Roma a cidade que foi puta mas que agora se converteu,
Roma que se altera, transforma e representa como um actor o personagem lhe mandam executar,
Roma a "cidade poesia" camuflada de miséria,
Roma a cidade disfarçada, que cobre com um manto negro a sua fragilidade com medo que a possam ver.

Texto: Clara Marchana
Fotografia: As Asas do Desejo (1987), filme de Wim Wenders

Festas Felizes

Feliz Solstício de Inverno. Bem vindo Inverno. Feliz Natal Boas Festas Merry Christmas Buon Natale Buone Feste. (C)Lara